terça-feira, 14 de novembro de 2017

Um belo de um perrengue

Eu não costumo passar por muitos perrengues nessa vida, mas deixa eu contar para vocês o que aconteceu comigo esse fim de semana que passou e que com certeza me fez envelhecer alguns anos e perder vários fios de cabelo de tanto nervoso que passei.

Quando comprei minhas passagens para passar as férias no Brasil eu escolhi um vôo direto de São Paulo para Miami, depois esperaria quatro horas no aeroporto e pegaria um vôo para Denver. Como eu moro longe do aeroporto (quase 4 horas de carro), ia sair com meus pais no meio da noite para chegar com bastante tempo antes de embarcar.

Acontece que, umas três horas antes de sair de casa, eu tive a brilhante ideia de checar meu assento no avião. Foi aí que começou o pesadelo. Percebi que meu vôo havia sido alterado: de um vôo direto, passou para um com escala no RIO DE JANEIRO. O coração até desparou quando vi isso e piorou mais ainda quando percebi que o horário era antes do que eu tinha planejado com meus pais.

Liguei para a Latam e foi confirmado que tinha sido alterado, mas ninguém me avisou. Não me mandaram nada: e-mail, ligação, sms, sinal de fumaça… NADA. O moço acabou me avisando que comprei a passagem com a Lan e não com a Tam. E eu lá sabia que tinha como fazer isso? Enfim… Acordei meus mais mais cedo e fomos para São Paulo.

Chegando em São Paulo foi problema atrás de problema. Não consegui fazer check-in nas máquinas. Fui até o guichê e estava dando problema com a minha passagem e depois de um tempo a atendente me disse que o trecho Rio – Miami tinha sido REEMBOLSADO! Sintam o meu desespero. Eu sabia que não tinha sido reembolsado coisa nenhuma porque eu não tinha esse dinheiro na minha conta. Depois de quase uma hora de sufoco, a moça da parte de vendas disse que estava tudo ok com a minha passagem e mandaram imprimir meu cartão de embarque.

Me despedi da minha família (êta coisa triste) e parti para o Rio de Janeiro. Eu teria duas horas até a conexão para Miami mas é óbvio que o vôo atrasou quarenta minutos e eu tive menos de uma hora para embarcar no outro avião. Chegando no Rio o que acontece? Eu não tinha o cartão de embarque para poder entrar na parte de conexões e tive que DESEMBARCAR para pegar essa merda.

Chegando lá, problema de novo. Deu o mesmo erro na máquina e o moço me disse a mesma coisa sobre a minha passagem. A diferença, meus caros, é que dessa vez eu tinha VINTE FUCKING MINUTOS para embarcar. Eu estava desesperada, suando, quase desmaiando de tanto correr. No fim das contas deu certo, ufa.

Ah, como se a desgraça fosse pouca eu tive que marcar outro vôo para Denver porque eu ia ter apenas uma hora para fazer a conexão. Impossível, né? O único era no outro dia, ou seja, passei 12 horas no aeroporto de Miami. Cheguei em casa dois dias depois. Dois dias sem banho e a última vez que eu tinha dormido em uma cama tinha sido na sexta-feira.

Quatro horas em um carro, três aviões, dois trens e um Uber depois… Estou de volta!

Euzinha assim que entrei no avião para Miami

PS: Chequem seus vôos sempre. Nunca comprem passagem com a Lan.

Um beijo

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Passando por Georgetown


Tem dia que a gente está sem nada para fazer e sai por aí explorando esse lugar maravilhoso em que moramos. Já faz um tempinho que tirei essas fotos mas não podia deixar de postar por aqui. O destino do dia nem era essa cidadezinha, mas acabei parando ali com minha amiga e ficamos encantadas.

Georgetown (aqui no Colorado mesmo) é aquela cidade, praticamente uma vila, que você vê em filmes americanos e fica encantada pela sua fofura. Sério, é uma cidade tão bonitinha que dá vontade de ficar ali admirando seus poucos quarteirões o dia todo. Ah, ela tem pouco mais de mil habitantes... Então dá para ter uma ideia do quão pequena ela é.

Vocês acreditam que nessa quase vila eu encontrei uma lojinha vendendo nada mais, nada menos que Romero Brito? Fiquei chocada com o alcance desse homem hahah

Quero muito voltar lá agora na época do Natal. Deve ficar mais maravilhosa ainda.

Tentei captar nas fotos o quão encantadora Georgetown é: 












Como é voltar para casa?

Imagem: Hajin Bae

Mas de que casa você está falando, Nathália? Aquela que tem toda a sua família de verdade, comida deliciosa da sua mãe e todas as coisas que você sentiu falta todo esse tempo que ficou fora.

Dia 28 de Outubro cheguei no Brasil. Coração acelerado porque sabia que assim que eu atravessasse aquele corredor eu iria ver minha família novamente. A gente sente muita saudade, parece muito surreal quando você encontra sua família de novo. Meus pais foram me buscar no aeroporto e a choradeira começou ali mesmo. De felicidade, é claro.

A última vez que os vi o clima era totalmente diferente. Era um clima de medo pelo que estava por vir, de não saber se eu ia parar na casa de pessoas boas ou se eu comeria o pão que o diabo amassou. Sorte a nossa que deu tudo certo. Sou extremamente grata pela sorte que tive.

Quando você entra no seu quarto, aquele que você passou praticamente metade da sua vida, você se sente estranha. É muito esquisito voltar para a sua vida de antes. E olha que eu estou de férias apenas, imagine se eu tivesse que voltar realmente.

Aliás, falando nisso… E a quantidade de pessoas te mandando mensagem perguntando se você desistiu? Mas já voltou? Acabou? Não. Infelizmente para as pessoas que acharam que eu desistiria ou que algo ia dar errado: estou de férias apenas.

Outra coisa que preciso falar e avisar para aqueles que pretendem voltar para casa nas férias: você vai comer como se não houvesse amanhã. Sabe todas as comidas que você desejou e que não tinha como comer? Pois é, você vai querer comer tudo de uma vez. E não vai parar. Vai querer aproveitar cada momento como se fosse o último e vai chorar por dentro quando olhar para as pessoas que você ama e lembrar que você vai embora, de novo. E vai doer porque você sabe que é uma escolha sua, apenas sua.

E se você já não quer mais morar no Brasil, vai se sentir um estranho no ninho como eu. Eu não me vejo morando aqui, mas, ao mesmo tempo, eu amo minha terra. É muito contraditório, mas para mim faz todo sentido. Eu já decidi que não quero isso para mim então tenho que aprender a conviver com as dores das minhas decisões.

Eu não me arrependo nem um pouco de ter passado minhas férias no Brasil com a minha família em vez de viajar para algum outro lugar. Eu realmente precisava voltar para casa antes de continuar minha jornada. E é assim que eu volto, completamente recarregada de muito amor.





quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Tem dia que não é fácil


Tem dia que não é fácil e eu estou escrevendo isso em um dia bom (até agora) porque em um dia difícil tudo o que você quer é deitar no chão e ficar em posição fetal até tudo se acalmar. Tem gente que acha que a partir do momento em que você coloca os pés nos Estados Unidos, seus problemas acabaram e você vive uma vida perfeita. Todos os seus dias são coloridos, um verdadeiro comercial de margarina.

Talvez seja porque eu já passei por isso em outro intercâmbio, mas eu me sinto muito mais preparada dessa vez do que há quatro anos. Antes de chegar aqui eu já sabia que não seria fácil e que em algum momento eu iria me sentir triste por aqui, por mais que eu estivesse vivendo o meu sonho. 

Então, se você que está lendo isso tem o mesmo sonho que eu e quer ser au pair ou morar nos Estados Unidos, eu preciso te alertar que: não será fácil. 

Tem dia que tudo o que você vai querer é fugir andando, correndo, de jegue, de qualquer meio de transporte possível para o seu país. Tem dia que você vai se perguntar que raios você está fazendo aqui e o que será da sua vida depois que isso acabar. Pensar no futuro te dará calafrios, então você finge que está tudo bem e nem se atreve a pensar mais. 

Tem dia que você vai querer morrer. Tem dia que você vai chorar até soluçar, sem ninguém ver. Tem dia que você vai querer jogar tudo para o alto e dizer "foda-se" e desistir de tudo. Mas depois de dez segundos você desiste dessa ideia porque sabe que está tendo uma oportunidade única e que se desistisse, iria se arrepender até o último fio de cabelo.

Tem dia que tudo o que você vai querer é ficar quieta no seu canto e não falar com ninguém, mas você mora com seus chefes e não poderá fazer isso. Tem dia que você vai querer sair de casa apenas para não ouvir crianças chorando o dia todo. Quando a noite chegar, você vai se deparar vendo vídeo de suas crianças, morrendo de saudade.

Tem dia que sua família (a de verdade) vai te ligar e você vai mentir que está tudo bem e forçar um sorriso para que eles acreditem. Falando em família, muitas vezes você vai se perguntar se vale à pena deixar quem você ama tão longe de você para poder ir atrás de seus sonhos. 

Sempre digo que sou feliz 95% dos meus dias por aqui, mas tem dia que não é fácil. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Roxbrough State Park

Faz um tempo que eu tinha cansado de aparecer por aqui, andava desanimada demais com o blog mas ultimamente quis muito voltar para poder ter essas memórias como um diário e também para motrar/dar dicas para quem me acompanha por aqui.

Tendo isso em vista, vim contar que no último final de semana fui com as minhas amigas para um lugar muito bonito aqui no Colorado - como se tivesse algum lugar feio por aqui, né? hahah
O lugar escolhido foi o Roxborough State Park, que fica em Littleton. Para quem não gosta de trilhas difíceis, é uma ótima escolha (mas se você que uma trilha no nível hard encontrará também). Com apenas uma caminhada você já consegue ter uma vista maravilhosa desse mundão nosso. 

Lá você pode encontrar as "red-rocks", que vou descrever como um monte de pedra laranja avermelhada que te deixa de boca aberta. Ficamos um tempo sentadas nessa pedra (rendeu ótimas fotos) olhando para essa imensidão que tentei mostrar por meio da minha câmera. 

Quando estávamos indo embora quase pisamos em uma cobra. Tá aí um susto que não vamos esquecer!

Ah! O estacionamento do parque custa 7 dólares. 

Selecionei algumas fotos para vocês:







quinta-feira, 27 de julho de 2017

Trilha: Saint Mary's Glacier

Faz tempo que não apareço por aqui, né? Mas agora prometo que vou fazer de tudo para postar com frequência dando dicas e mostrando os lugares que estou conhecendo por aqui.

Já faz umas semanas que fui com as meninas fazer a trilha para o Saint Mary's Glacier, mas acabei postando o vídeo só agora porque eu estava com muitos problemas na edição por causa do meu notebook antigo. Agora que comprei um novo posso voltar a postar vídeos no canal.

Essa trilha eu não lembro como que eu achei, mas tenho costume de ficar procurando lugares legais aqui por perto e devo ter dado de cara com alguma foto maravilhosa desse lugar. Quando comentei com a minha host mom ela disse que realmente era um lugar lindo e que eu deveria ir! Essa trilha fica perto de Idaho Springs - Colorado.

Quando você chega no Saint Mary's Glacier, você pode acessar um dos lagos com carro. A paisagem é extremamente maravilhosa e eu não me canso de pensar que estou dentro de um quadro quando saio explorando esse estado. Já devo dar a dica de que é bastante frio, no dia que fomos estava ventando bastante e shorts não foi uma escolha muito sábia para compor o look do dia hahaha

A trilha em si não é difícil de fazer. Tem gente que sobe com bebê pendurado no peito, juro hahah Mas é claro que se você se exercita o tanto quanto eu (zero), vai sentir um pouco na subida. Ah, o que pesa bastante aqui no Colorado é a altitude. O Colorado é um dos estados mais altos, o que pode te fazer sofrer um pouquinho. Eu não sinto quase nada, mas uma amiga sofre bastante com isso por aqui.

As duas últimas fotos são do lugar que você chega depois da trilha. É bem friozinho também por causa da neve e do vento, mas nada que uma calça não resolva :)

Que sorte imensa poder conhecer esse lugar.







quarta-feira, 17 de maio de 2017

Quem não ajuda não atrapalha - Ou 5 coisas que você não deve falar paraquem vai fazer intercâmbio

A partir do momento que você coloca os pés para fora da agência de viagens, após assinar o contrato do intercâmbio, você passa a ter conhecimento de que 99% das pessoas que você conhece só vão querer te puxar para baixo e fazer você se arrepender da sua decisão.

Tem gente que, óbvio, não faz por mal… Tipo a sua avó que chora até não poder mais e ainda fala “Não faz isso comigo, minha filha”. Mas também tem aquele tipo de pessoa que te dá uma alfinetadinha ou um olhar quando você diz que vai largar tudo e ir embora por um ou dois anos que você percebe que aquela pessoa só quer te puxar para baixo.

Para isso, eu digo: Quem não quer ajudar, que pelo menos não atrapalhe.

Resolvi listar algumas coisas que eu ouvi desde o momento que decidi ser au pair (isso lá no começo de 2016):


1 - "Mas e agora com o Trump como presidente?"

E agora continua do mesmo jeito que antes já que serei uma pessoa que entrará no país LEGALMENTE com um VISTO VÁLIDO.

2 - "Fez faculdade para acabar limpando bunda de bebê?" 

"Vai sair daqui para ser empregada dos outros…"

Cara, se tem uma coisa que me irrita muito em brasileiro é esse pensamento minúsculo que algumas pessoas têm. Já comentei sobre isso no post anterior mas repito: prefiro limpar a bunda dos meus meninos todos os dias em outro país do que ficar trancada dentro de um escritório trabalhando igual uma condenada a troco de nada.

O brasileiro tem muito preconceito com quem faz serviços como, por exemplo, babá, faxineira, jardineiro e coisas do tipo… Acham humilhante trabalhar para outras pessoas. Só queria informar essas pessoas que não é nada diferente na vida delas, já que também têm chefes e pessoas que as consideram “empregadas”. Estou ganhando meu dinheiro honestamente assim como outras pessoas e como bônus ainda tenho a oportunidade de conhecer outro país. A diferença está no tratamento que essas pessoas te dão. Eu sou tratada MUITO bem onde moro e trabalho. Não me rebaixam, me respeitam. E é assim que tem que ser.

3 - "Vai casar e nunca mais voltar…"

Claro, estou indo para outro país apenas para procurar homens. Eu vivo por isso. Não sei como estou solteira, pois só vivo com um homem ao meu lado. Falando sério agora… Isso pode até acontecer mas nunca pensei em vir para cá com esse objetivo. Penso sempre na minha evolução pessoal primeiro.

4 - "Você não vai sentir falta da sua família? Como tem coragem de fazer isso com eles?"

Mas é lógico que eu vou. Posso não ser uma pessoa muito afetiva mas eu sinto falta das pessoas que eu amo. E eu tenho coragem porque eu não quero viver a vida deles, quero ir atrás dos meus sonhos e se eu ficasse cada vez que me pedissem, eu ia viver uma vida que não era a minha. E eu seria infeliz a cada segundo que vivesse.

5 - "Quatro anos de faculdade para ser au pair depois. Como vai fazer depois que voltar e estiver desempregada?"

Queria muito saber em que momento eu joguei o meu diploma no lixo assim que eu assinei o meu contrato de intercâmbio. Nem eu sei o que eu quero fazer com a minha vida e você está aí querendo dar pitaco na vida alheia? Pessoas que acham que é perda de tempo viajar, por favor, nem falem comigo.

Se o seu sonho é ficar onde você está, que fique. Só não encha o saco que quem tem sonhos diferentes dos seus.