terça-feira, 11 de março de 2014

Tão pouco tempo

Eu nunca conheci meu avô por parte de mãe, na verdade não conheci muita gente da minha família que já havia partido antes mesmo de eu chegar.
Passei a minha vida toda escutando histórias sobre ele, minha avó vive em uma eterna nostalgia por ter perdido o amor de sua vida de uma forma tão trágica. Meu avô era maquinista, morreu em um acidente de trem. Minha avó só descobriu quando foi encontrá-lo na estação e tudo que encontrou foi uma tristeza para toda vida.
Minha mãe não chegou a conhecê-lo, era apenas um bebê quando tudo isso aconteceu. Tudo o que ela teve é o que eu tenho dele hoje, lembranças contadas sob um olhar apaixonado. Tenho vontade de sair pelo mundo procurando parentes que o tenham conhecido pra ouvir histórias novas, sentir um laço que nunca tive.
De todas as pessoas que não conheci, ele é a pessoa que eu mais me sinto próxima de algum jeito. Essa vontade de ter apenas um segundo pra poder pelo menos olhar nos olhos dele uma vez na minha vida e descobrir por mim mesma tudo que ele era.
Hoje eu vim visitar uma tia avó que mora em uma cidadezinha perto da minha. Lembro como se fosse hoje a última vez que a vi. Foi há alguns anos, em um aniversário da família. Ela estava lá, cheia de vida, sendo daquele jeito cativante que ela sempre teve fama. O que eu vi hoje me deu vontade apenas de chorar, não consegui conter essa angústia que me bateu quando vi aquela senhorinha que nem conseguia me enxergar.
Tudo isso me fez pensar que a vida passa tão rápido e enquanto isso estamos preocupados com coisas tão banais. Meu pai sempre me fala que nós, jovens, achamos que somos imortais e essa frase nunca fez tanto sentido.
Enquanto estamos tão preenchidos pelo nosso ego, a vida vai se esvaindo e o que sobra são apenas lembranças de tudo que um dia fomos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário