quinta-feira, 29 de maio de 2014

Uma questão de aceitação.

Esses dias estava sem fazer nada pelo Facebook (quando não?) e me deparei com umas fotos de quadros renascentistas. Era um post que estava mostrando o trabalho de Lauren Wade, uma fotógrafa americana que resolveu photoshopar as mulheres de quadros famosos para que elas ficassem dentro do padrão atual de beleza da sociedade. 

Essas fotos me fizeram pensar um pouco sobre como nós agimos sobre o modo que as pessoas nos enxergam. Quando eu era mais nova, devia ter uns 14 anos, um menino da minha sala começou a implicar com o meu nariz e falava sobre ele o dia inteiro. Cada vez que eu me olhava no espelho eu achava que meu nariz tinha crescido mais um pouquinho até o ponto que eu passei a odiá-lo. 



Por um belo tempo eu sonhei em fazer plástica, imaginava o dia em que iria me livrar daquele fardo que era o meu nariz e assim estaria livre também do bullying na escola. Quando eu falava para alguma amiga sobre a minha vontade de fazer plástica todas falavam que eu era louca e que não tinha nada de errado com o meu nariz, acontece que eu não enxergava isso. Eu estava vendo o meu corpo sob os olhos de outras pessoas. 

Não sei o que aconteceu, deve ter sido a maturidade chegando mas eu simplesmente deixei isso pra lá, aprendi a gostar do meu nariz e vi que ele não é uma coisa horrorosa e que não muda em nada a minha vida. Ouso dizer que hoje em dia eu gosto muito dele e fico chocada que um dia quis entrar na faca e mudar o meu rosto. Aí eu penso que é muito bom ter pais que controlam os filhos, se meus pais tivessem cedido ao meu desejo de fazer uma plástica eu com certeza teria feito naquela época. 



Sou muito a favor das pessoas mudarem seus corpos se isso realmente se torna um problema em suas vidas. Sei como é ter um complexo sobre si mesmo e não conseguir ser feliz com o que vê no espelho, mas acho também que todos deveriam parar um pouco para refletir antes de se transformar de uma forma tão agressiva quanto essa. É a sua vontade ou a vontade dos outros? Hoje eu vejo que o que realmente importa é ser feliz, sem pensar no julgamento alheio. 

Tenho amigas que me falam seus sonhos de consumo de plástica e eu tento todas as vezes dizer que elas estão com uma visão deturpada delas mesmas, não sabem o quão bonitas são. Não preciso nem falar que eu acho super bizarro essas mulheres frutas e esse povo que parece mais uma versão mutante de humano, né? Acho o corpo humano maravilhoso e não acho que precise de modificações.

Um comentário:

  1. Adorei o texto, muito bom mesmo! A vida inteira eu sempre fui uma pessoa extremamente magra. Não tenho nenhum problema de saúde, simplesmente nunca engordei. Ainda assim eu tive colegas na escola que implicavam comigo por ser muito magrela. Vê se pode?
    Então as pessoas não estão nem aí se você é gorda ou magra, tem nariz grande ou pequeno, é loira ou negra, é hetero ou gay. Elas apenas são tão infelizes em suas vidas medíocres que se sentem bem em tornar os outros medíocres também.
    É por isso que eu digo que o importante mesmo é você formar a sua própria opinião do seu corpo e MAIS NINGUÉM. Se você está satisfeita, quem liga para o que os outros vão achar?

    Beijos,
    Cenas do meu livro de memórias | Fanpage do Blog

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