quinta-feira, 24 de julho de 2014

Em Família - Já vai tarde

É, eu sei que a novela já acabou e que não adianta mais ficar chorando sobre o leite derramado, mas não dá. Eu não consigo guardar a minha revolta por essa novela então vou deixar aqui algumas considerações antes de esquecer essa trama para sempre na minha vida. 

Eu nunca fui uma pessoa noveleira, quer dizer, daquelas que precisam assistir o episódio do dia senão ficam doidas de ansiedade para chegar em casa e ver tudo que aconteceu. Sou aquele tipo de pessoa que acompanha um capítulo hoje, outro daqui dois meses, algumas manchetes na TiTiTi e algumas fofocas entre minha mãe e minha avó, que volta e meia se reúnem chocadas com o que está acontecendo na telinha. 

Acho que devo esse surto novelístico à greve da minha faculdade, tenho passado muito mais tempo com a minha mãe e consequentemente tenho visto novelas com ela, que assiste todas. Quando eu era mais nova acompanhava algumas e já estava familiarizada com as novelas de Maneco e quando li que era, possivelmente, sua última novela, resolvi dar uma chance. Mas Em Família me revoltou. 

Por onde começar? Tinha tanta coisa errada naquela história que até doi lembrar. Acho que as pessoas pensam que é colocar qualquer porcaria na frente de nossos olhos que vamos digerir sem nenhum problema, sem nenhuma contestação. Acho uma boa começar falando do personagem mais nauseante da história da televisão brasileira: Laerte. 

Laerte é aquele tipinho de cara que se acha a última bolacha do pacote (só eu acho esse ator feio, gente?) e que tem como objetivo de vida conquistar todas as mulheres ao seu redor. Como se não bastasse ter várias menininhas caídas de amores por ele, resolve também encantar parentes, mais especificamente a prima. Oi, gente? Tá errado isso aí, viu? Se minha filha ficasse de graça com o meu sobrinho eu fazia os dois arderem no mármore do inferno. 

Tudo bem, vamos dar uma chance para esse amor avassalador entre pessoas do mesmo sangue. Seguimos então para o fato de Laerte abandonar Leninha no altar (não sei a ordem cronológica dos fatos no começo da novela, comecei a acompanhar um tempo depois), tudo bem, né? Todos os dias noivos abandonam suas amadas no altar e até aí a gente acredita, mas não depois de ter tentado matar o coitado do Virgílio, ter enterrado vivo o homem e nunca ter sido preso por isso. É aí que a gente para pra pensar que não está normal não.

Carinha de insuportável


Agora vamos falar de Luíza. Devo começar dizendo que minha birra da Bruna Marquezine vem desde quando ela era um projeto de gente chamado Salete em não sei qual novela e só chorava. Chata. Cresceu e ficou mais chata ainda e pra melhorar namora o Neymar e Fabíola Reipert vive gongando Salete, dizendo que ela se acha demais. Nunca duvido de Fabíola Reipert, a mulher sabe das coisas.

Ah, é…Luíza. Agora imaginem isso: Você está andando por aí quando conhece um homem extremamente charmoso (com idade para ser seu pai) e você se vê interessada logo de primeira. Quando resolve se entregar ao amor descobre que ele é o ex da sua mãe. O EX DA SUA MÃE. Ah, desisto dessa novela! Mas não, continuei. Como se não bastasse ter pego sua mãe quando ela era cocotinha, esse cara enterrou o seu pai vivo. Com certeza ele é uma pessoa super equilibrada, boa das ideias e um ótimo partido. Quem liga pro pai, não é mesmo? 

O que você faz se encontrar o Laerte por aí? Corre? Chama a polícia pra prender esse louco? NÃO. Você se apaixona por ele. Você briga com a sua mãe, que já viveu a mesma história que você, literalmente, não é um daqueles casos em que sua mãe vira e diz que é mais velha e já passou por isso e você simplesmente não dá bola.

Quem troca isso pelo Laerte?


Olha, eu não sei em que mundo fazer isso é certo, mas aqui de onde eu venho isso é muito errado. E isso com certeza foi o fracasso da novela. Eu sentia nojo de ver o desenvolvimento dessa história, tinha nojo de tudo envolvendo esse casal que era completamente errado, tinha nojo de ver essa história abusiva, onde Luíza aceitava ser tratada como posse de um homem simplesmente por amor. Acho que essa repulsa foi um sentimento causado na maioria dos telespectadores, que já não aguentavam mais essa história absurda. 

Aí chega o último capítulo e eu ainda estava esperançosa por um momento de iluminação na cabeça daquela menina, esperava que ela percebesse que ele era um idiota, louco e possessivo e não se casaria com ele. Ou que ele a abandonasse no altar repetindo a história que teve com Leninha e assim, finalmente, Luíza iria perceber o quão cachorro ele era. 



Não. Eles se casam. E ele morre no casamento. Sem em nenhum momento Luíza se dar conta de onde tinha se metido e deixar a ideia para as pessoas de que aquilo era um relacionamento de verdade e que tudo vale a pena em nome do amor. Não vale, e isso me revolta, pois algumas pessoas realmente se deixam influenciar pelo que veem na televisão e a ideia que ficou foi que é normal ter um namorado que não deixa você ter uma vida, ter amigos e ser independente. Você pode contestar isso, mas no fim ele sempre estará certo. Que é normal sofrer por amor, ter medo do seu parceiro e não saber se ele é capaz ou não de te machucar. Que é normal ser perseguida e tratada como um objeto.

Eu só queria dizer para as pessoas que acham que isso é normal, que é, na verdade, um absurdo. É abuso e as atitudes de Laerte deveriam ter sido denunciadas e ele preso. Mas eu não tenho esse poder, e o que me revoltou foi isso. Ver atitudes horríveis de homens reais passadas na televisão como se fossem uma coisa que tem conserto, que pode ser perdoada. 

Violência não é amor.

2 comentários:

  1. Essa novela realmente foi extremamente ruim. Também acompanhei só algumas semanas antes do final, mas foi uma decepção atrás da outra. Esse relacionamento da Luiza com o Laerte foi a coisa mais ridícula e triste de se ver, mas pior ainda, é ver que a maioria dos telespectadores achava isso normal e o errado era o casal gay. Outro comentário que faço é que Gabriel Braga Nunes merecia um prêmio, porque o Laerte era insuportável, mas ele fez um trabalho ótimo, porque, só de olhar para a cara dele dava nojo. Enfim, Manoel Carlos poderia ter passado sem essa!

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  2. Nossa, essa novela foi uma fronta a nossa inteligência e bom senso. Li em uma matéria da Folha, se não me engano, uma entrevista com um psicólogo (algo assim) dizendo que é IMPOSSÍVEL alguém desenvolver um relacionamento assim com alguém que causou tantos danos a sua família, a não ser que a pessoa algum problema psicológico também. Enfim, seu texto foi mto pertinente e só consigo concordar. :)

    beijo!

    www.myotherbagischanel.com.br

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