segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Entre cigarras e um muro qualquer



Alguns anos se passaram desde que me meus pés tocaram aquele cimento pela última vez, não me lembro do último dia, mas lembro de todos momentos que foram proporcionados por uma construção qualquer. É incrível como coisas pequenas começam a fazer parte de nossas vidas e quando você se dá conta, tudo mudou e o que resta são apenas lembranças de lugares que tem o poder de te levar de volta no tempo. 

Tempo esse onde tudo era mais simples e ouso dizer, muito mais feliz. Não que eu seja uma pessoa triste e com um pesar sobre os meus ombros, mas, veja bem, o que quero dizer aqui é que meus pés, pequenos naquela época, se cansavam ao subir aquele muro gigante para minhas perninhas e tinham isso como único desafio a encarar. Nada mais. Simplicidade faz muita falta quando a gente cresce.

Às vezes não quero fechar os olhos, isso faz com que eu perceba o quão rápido o tempo passou. E eu quero voltar, juro para você que quero voltar. Ficar presa em um looping eterno enquanto você me segura nos braços para eu não cair do outro lado. Quero para sempre você olhando para aquelas árvores em busca de cascas de cigarras para me mostrar. Quero para sempre ouvir nossos risos ecoando com o canto delas no fim da tarde de um Domingo. Não quero ter que te dizer que eu cresci, não quero que você perceba que na verdade a casca que você encontra hoje... é minha. E o que restou daquele tempo é o que a cigarra deixa quando troca a sua parte exterior. Eu mudo, mas a minha essência é a mesma.

É, eu sei, confesso que deixei esses momentos em um canto da minha memória, quase não dei a devida importância para uma coisa tão preciosa como essa. Sabe como é, os pés cresceram, mas meus olhos ainda eram de menina. Precisei de algo mais para olhar para cima e perceber que o muro não era tão alto assim e não, não estaria lá para sempre. O que precisei foi uma dose de nostalgia quando vi uma cena que me fez reconstruir em minha mente o tempo em que eu era a protagonista. Te vi ali, no nosso lugar, criando as mesmas memórias diante de outro par de olhos, esses são azuis que nem os seus.

O que surgiu em meus pensamentos como uma luz no fim do túnel é que de pouco importa as cascas de cigarra encontradas em árvores, pouco importa o tempo que gastei me equilibrando naquele muro e pouco importa se o tempo passou, tudo mudou e o muro sumiu. O que importa e estará para sempre comigo, é que eu tenho você.


"You are the god and the weight of her world."


2 comentários:

  1. Bonito o texto. Crescer não é fácil mesmo, as lembranças dos tempos passados são de matar de saudades, mas o importante é saber viver o presente a criar agora novas lembranças :)

    Beijos,
    Livro de Memórias

    ResponderExcluir
  2. Também desejo entrar em um looping eterno e voltar ao passado. As memórias felizes, a inocência de um mundo onde tudo ia bem, onde os problemas eram facilmente solucionados, onde pessoas importantes pra mim ainda faziam parte, estavam ali, presentes comigo. É difícil e doloroso demais crescer, e as coisas acontecem tão rápido... Tem horas que até gosto. Mas assim, na noite escura, eu confesso que é difícil. E que eu tenho medo.


    http://dosdiascorridos.wordpress.com

    ResponderExcluir