sexta-feira, 6 de março de 2015

Festas universitárias: A opinião de quem frequenta.


Escrevi esse texto depois que aconteceu uma coisa muito chata na cidade em que eu moro, na universidade em que estudo. É totalmente fora do tema do blog, mas não poderia deixar de postar por aqui também. Ah! Ele foi publicado no site do Acervo Memorial - quem quiser ver é só clicar aqui.



Não, esse não é mais um texto falando sobre o jovem de vinte e três anos que morreu após beber várias doses de vodka. Hoje eu dedico o meu tempo para falar com vocês – pais, avós, pessoas que não frequentaram faculdade e, principalmente, assíduos comentadores em portais de notícias.


As barbaridades que tenho lido com o que aconteceu em minha faculdade têm me deixado muito incomodada. Não é de hoje que nós, estudantes, sabemos o quanto somos discriminados, taxados como vagabundos. A vontade de escrever esse texto surgiu depois que me deparei com essa matéria (http://goo.gl/qcMcVA), que recomendo a leitura para o entendimento do que irei escrever. Dentre tantas coisas absurdas, o que mais me chocou foi como as festas universitárias foram retratadas, coisa que quem frequenta, sabe muito bem que não condiz com a realidade.


Eu estou no quarto ano de jornalismo, entrei na faculdade em 2011 já pensando em todas as festas que poderia ir estando longe da supervisão de meus pais. Se me perguntarem, não sei dizer em quantas já fui. Praticamente todas.


Meus pais sempre souberam que eu frequentava esses lugares e, como muitas pessoas, têm uma visão distorcida sobre o que acontece dentro de uma festa. Sempre brinquei com meu pai que na mente dele quando eu estava em uma festa, uma pessoa passava com uma bandeja oferecendo todos os tipos de drogas existentes.


Eu sou universitária e nunca me droguei. Nunca experimentei. As festas de república que acontecem entre nós é uma forma de nos divertirmos, não fazemos parte de um tráfico. Em casos como essa tragédia que aconteceu em Bauru essa semana, a mídia, assim como boa parte dos moradores dessa cidade, acreditam piamente e passam essa imagem de que estudantes são todos drogados.


Vi drogas nessas festas? Vi, não vou negar. Drogas essas que posso dizer que vejo em qualquer lugar que eu saia, sendo festas de universitários ou não. Já me ofereceram muitas vezes e eu neguei em todas. Nunca me forçaram a nada, essa escolha foi minha, assim como a de quem escolheu aceitar.


Nós não lucramos muito com essas festas e, quando dá algum lucro, algumas repúblicas pagam aluguel, fazem churrasco, viajam, compram móveis para a casa. Nenhum lucro chega a 80 mil reais como foi dito, está muito longe disso. Nosso objetivo, quando organizamos alguma festa (além do lucro para ajudar nas contas no fim do mês) é criar um evento em que todos possam se divertir, beber, dar risadas, dançar e ter boas histórias para contar no dia seguinte.


Nessas tão temidas “festas de república” eu dancei com as minhas amigas, brigamos, conversamos, bebemos, perdemos a noção e cuidamos umas das outras. Quantas vezes eu quis que uma noite durasse para sempre, várias delas tenho como alguns dos momentos mais felizes de minha vida. Uma saudade boa e dolorida de um tempo que não volta mais.


Nós vamos em festas porque sabemos que a vida é curta e que a responsabilidade já bate na porta, somos jovens e queremos aproveitar a vida ao máximo, sabemos que esse momento de nossas vidas é muito breve e que em um piscar de olhos estaremos atolados de problemas, muitas vezes, sem tempo para ter uma noite feliz ao lado de nossos amigos.


Aliás, gostaria de aproveitar e contar para vocês que nem todos os estudantes são violentos, nem todos os trotes são degradantes e nem todas extrapolações nossas são forçadas por terceiros. Isso existe, com certeza, mas generalizar é um erro. Na UNESP de Bauru eu nunca me senti coagida a fazer algo que não queria. Posso dizer que todas as escolhas que fiz partiram apenas de mim.


Essa matéria que aqui linkei, como tantas outras, não tem compromisso com a verdade – coisa que aprendi nesses quatro anos na universidade. Eu, como jornalista, jamais me aproveitaria de uma fatalidade para alavancar as visualizações do que escrevo me baseando em mentiras, quando na verdade o que deveria ser feito é promover o debate sobre a cultura do álcool e não especulações sobre as festas que damos.


Minha intenção ao escrever esse texto é mostrar para quem vive na bolha das manchetes dos jornais ou até mesmo os moradores que nos discriminam, que nosso mundo não é regado de drogas, inconsequências e violência. Nosso mundo é regado de amizades, gargalhadas e momentos inesquecíveis. E se eu conseguir mudar a opinião de apenas uma pessoa, então eu já terei feito a minha parte.

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