sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Aquele em que eu entro em crise com a vida adulta

giphy

Sabe aquela brincadeira que a gente fazia quando era criança e que tinha como propósito “adivinhar” nosso futuro? Muito melhor do que qualquer cartomante, em apenas alguns minutos descobríamos se íamos ser pobres, quantos filhos iam nos pentelhar e se a gente ia morrer na pobreza ou divar deitando em dinheiro.

Tenho pensado muito nisso e na ideia que eu tinha do meu futuro quando eu era mais nova. Lembro que todas as vezes que fizeram essa brincadeira comigo - em todas - eu disse que queria casar com uns 20, 22 anos. Acontece, meus amigos, que os 25 já estão batendo na minha porta e eu não tenho a mínima ideia de como é ser adulta e, muito menos, estou perto de casar.

A Nathália de 10 anos tinha certeza absoluta de que quando tivesse uns vinte anos já teria tudo resolvido. Já teria saído da casa dos pais, encontrado o príncipe encantado e já teria pelo menos um filho. Bom, sair da casa dos meus pais eu saí, mas voltei. O príncipe encantado aparece e a gente percebe que se for pra aceitar o machismo dele, é melhor morrer solteira. E os filhos? A gente deixa para depois dos 30, que é a nova idade para ter tudo resolvido (provavelmente com 30 ainda estarei em crise existencial e me sentindo uma adolescente presa em um corpo com dores precoces).

O sentimento que fica é de eterno fracasso. Seria pior se eu não visse tantos jovens da minha idade passando pelo mesmo que eu. Me sinto presa no clipe da música 22 da Lily Allen, enquanto pessoas ao meu redor dizem que já estou velha e que minha vida acabou.

Queria poder voltar no tempo e contar para a Nathália de 10 anos que nada ia acontecer do jeito que ela planejava. Que com 20 anos ela ainda ia se sentir uma adolescente com um mundo a descobrir e que não tem absolutamente nada de errado nisso. Que está tudo bem em não sonhar com uma casa própria, mas sim com viagens pelo mundo. Que é okay não querer passar a vida construindo uma carreira e trabalhando que nem uma condenada e sim aproveitar as coisas da vida que o dinheiro não podem comprar.

Ah! Também diria para não dar ouvidos para os adultos que já abandonaram seus sonhos e que querem impor a vida deles na sua. Trace você mesma seu caminho.

Um comentário:

  1. Oi Nath, tudo bom ??
    Sou nova por aqui, conheci o seu blog através de uma foto no google sobre cabelos ruivos, e comecei a ver seus videos sobre ruivisses, assunto que eu adoro, porém, quando comecei "fuçar" no seu blog simplesmente não consegui mais parar, principalmente esse texto que me chamou muita atenção e me fez parar pra pensar na vida, algo muito raro hoje já que faço 321564 coisas ao mesmo tempo. Em seguida encontrei seu texto sobre relacionamento abusivo, e mandei o link para uma amiga que está precisando muito ouvir as palavras que você escreveu lá. Sendo assim gostaria de primeiramente te agradecer e te parabenizar pelo conteúdo. Abraços! <3

    ResponderExcluir